Preocupante...?
A extinção das Gibitecas em São Paulo
Por Profº. Ms. Alberto Ricardo Pessoa
As histórias em quadrinhos são uma multiarte que se apropia de monoartes como poesia, prosa, desenho, perspectiva, sequência e apresenta ao leitor um leque rico de opções de entretenimento. No Brasil, a publicação de quadrinhos é extensa, tanto que as principais editoras mundiais, como Marvel comics, DC comics, Image comics, Viz Communication, Bonelli comics, Tokyo Pop, Dark Horse comics e Maurício de Sousa Produções vêm publicando no Brasil sem interrupções e com bons retrospectos de vendas.
No entanto isso não se reflete na manutenção das gibitecas na cidade de São paulo.
Cada vez mais espaços vem sendo fechados ou transferidos para outros espaços de menor expressão e consequentemente, de menor visitação.
O primeiro caso de encerramento de atividades foi da biblioteca e a gibiteca SESI de São Paulo, no Centro Cultural Fiesp, inaugurada em 2002 na Av. Paulista e encerrou as atividades em 26 de Janeiro de 2006.
A alegação é que a gibiteca fora transferida para a unidade SESI Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, atendendo cerca de quatro mil alunos de ensino fundamental e telecurso 2000 e da escola SENAI Mariano Ferraz, dez mil usuários que freqüentam o local, além de membros da comunidade que terão à sua disposição um acervo composto por 16 mil volumes na biblioteca e em torno de 12 mil exemplares na gibiteca - ambos serão ampliados com novos títulos de livros, gibis, CDs de música, CD-rom e DVDs de filmes.
Essa alegação, no entanto, não se sustenta, pois o correto seria a manutenção da gibiteca na Av. Paulista, que necessita de um espaço cultural dessa natureza e a criação de um novo espaço no SESI Vila Leopoldina.
Trata-se de um investimento em educação e cultura com custo baixo e alta rotatividade de visitação. A alegação de transferência é temeroso, pois um espaço só possui êxito se estabelecer uma tradição no local. Criar novas gibitecas menores e em centros carentes é uma ótima opção, mas sem fechar lugares que já faziam parte do circuito artístico paulistano, como a gibiteca SESI.
O pior, porém, ainda estava por vir.
Após um ano de lançamentos de fanzines criados em oficinas, palestras com personalidades do mundo dos quadrinhos como Peter Kupper, Waldomiro Vergueiro, Spacca e realizar um papel importante de produção na última Virada Cultural, a gibiteca Henfil, situada no Centro Cultural São Paulo, encerraram as atividades neste ano de 2007.
Mais uma vez a alegação é a de transferência de local e aproveitamento de espaços. Aparentemente o espaço Henfil será transferido para a biblioteca do Centro Cultural, se tornando parte anexa do grande acervo de livros da instituição.
Essa mudança pode trazer consequências drásticas para o manutenção do acervo de quadrinhos do espaço Henfil. Ao contrário dos livros, que possuem código de indentificação que ajudam a prevenir ações de furtos, os quadrinhos ficarão expostos e livre desse tipo de proteção, podendo ser furtados.
Outro problema será a falta de independência da ex-gibiteca em realizar palestras e oficinas, agora subordinada ao complexo da biblioteca.
Por fim, o espaço que era a Gibiteca Henfil está abandonado e sem nenhuma indicação dessa transferência. O público circulante não possui nenhuma informação do que está acontecendo e a impressão é que a Gibiteca foi sumariamente fechada e que não há mais local de leitura de quadrinhos.
A impressão que passa é que para os órgãos públicos, a idéia de construir uma gibiteca aparenta ser muito boa, mas em pouco tempo se torna um incômodo, um espaço mal aproveitado, que necessita ser eliminado e removido daquele local, para ser substituído por espaços de exposições ou, no caso da Gibiteca Henfil, por um espaço administrativo.
O que esses órgãos se esquecem é que a desativação de um espaço cultural arranca a possibilidade da sociedade em conhecer um meio de comunicação, ter acesso a leitura, oficinas de aprendizagem em quadrinhos, palestras de autores que em outro lugar seria impossível de conhecer e por fim arranha a própria idéia da gibiteca, que educadores vêm fazendo esforço em introduzir na educação básica, mas com esses casos fazem com que diretores de escola fiquem receosos com um suposto prejuízo na sua instalação.
A profissão do quadrinhista também sofre baixas com esses fechamentos. As gibitecas têm como vocação o fomento da produção e pesquisa de histórias em quadrinhos. É um espaço que reunem intelectuais, editores e leitores em suas palestras e eventos. Sem as gibitecas o abismo que separam esses profissionais, pesquisadores e leitores só aumentam e com isso, a possibilidade da formação de novos autores de quadrinhos fica seriamente ameaçada.
Fica aqui a reprovação e a espera de que estes episódios preocupantes parem de acontecer. Para isso, a mobilização da classe de pesquisadores, quadrinistas e leitores precisam se mobilizar e mostrar que gibitecas não são um estorvo, mas uma solução cultural para a cidade de São Paulo.
Por Profº. Ms. Alberto Ricardo Pessoa
As histórias em quadrinhos são uma multiarte que se apropia de monoartes como poesia, prosa, desenho, perspectiva, sequência e apresenta ao leitor um leque rico de opções de entretenimento. No Brasil, a publicação de quadrinhos é extensa, tanto que as principais editoras mundiais, como Marvel comics, DC comics, Image comics, Viz Communication, Bonelli comics, Tokyo Pop, Dark Horse comics e Maurício de Sousa Produções vêm publicando no Brasil sem interrupções e com bons retrospectos de vendas.
No entanto isso não se reflete na manutenção das gibitecas na cidade de São paulo.
Cada vez mais espaços vem sendo fechados ou transferidos para outros espaços de menor expressão e consequentemente, de menor visitação.
O primeiro caso de encerramento de atividades foi da biblioteca e a gibiteca SESI de São Paulo, no Centro Cultural Fiesp, inaugurada em 2002 na Av. Paulista e encerrou as atividades em 26 de Janeiro de 2006.
A alegação é que a gibiteca fora transferida para a unidade SESI Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, atendendo cerca de quatro mil alunos de ensino fundamental e telecurso 2000 e da escola SENAI Mariano Ferraz, dez mil usuários que freqüentam o local, além de membros da comunidade que terão à sua disposição um acervo composto por 16 mil volumes na biblioteca e em torno de 12 mil exemplares na gibiteca - ambos serão ampliados com novos títulos de livros, gibis, CDs de música, CD-rom e DVDs de filmes.
Essa alegação, no entanto, não se sustenta, pois o correto seria a manutenção da gibiteca na Av. Paulista, que necessita de um espaço cultural dessa natureza e a criação de um novo espaço no SESI Vila Leopoldina.
Trata-se de um investimento em educação e cultura com custo baixo e alta rotatividade de visitação. A alegação de transferência é temeroso, pois um espaço só possui êxito se estabelecer uma tradição no local. Criar novas gibitecas menores e em centros carentes é uma ótima opção, mas sem fechar lugares que já faziam parte do circuito artístico paulistano, como a gibiteca SESI.
O pior, porém, ainda estava por vir.
Após um ano de lançamentos de fanzines criados em oficinas, palestras com personalidades do mundo dos quadrinhos como Peter Kupper, Waldomiro Vergueiro, Spacca e realizar um papel importante de produção na última Virada Cultural, a gibiteca Henfil, situada no Centro Cultural São Paulo, encerraram as atividades neste ano de 2007.
Mais uma vez a alegação é a de transferência de local e aproveitamento de espaços. Aparentemente o espaço Henfil será transferido para a biblioteca do Centro Cultural, se tornando parte anexa do grande acervo de livros da instituição.
Essa mudança pode trazer consequências drásticas para o manutenção do acervo de quadrinhos do espaço Henfil. Ao contrário dos livros, que possuem código de indentificação que ajudam a prevenir ações de furtos, os quadrinhos ficarão expostos e livre desse tipo de proteção, podendo ser furtados.
Outro problema será a falta de independência da ex-gibiteca em realizar palestras e oficinas, agora subordinada ao complexo da biblioteca.
Por fim, o espaço que era a Gibiteca Henfil está abandonado e sem nenhuma indicação dessa transferência. O público circulante não possui nenhuma informação do que está acontecendo e a impressão é que a Gibiteca foi sumariamente fechada e que não há mais local de leitura de quadrinhos.
A impressão que passa é que para os órgãos públicos, a idéia de construir uma gibiteca aparenta ser muito boa, mas em pouco tempo se torna um incômodo, um espaço mal aproveitado, que necessita ser eliminado e removido daquele local, para ser substituído por espaços de exposições ou, no caso da Gibiteca Henfil, por um espaço administrativo.
O que esses órgãos se esquecem é que a desativação de um espaço cultural arranca a possibilidade da sociedade em conhecer um meio de comunicação, ter acesso a leitura, oficinas de aprendizagem em quadrinhos, palestras de autores que em outro lugar seria impossível de conhecer e por fim arranha a própria idéia da gibiteca, que educadores vêm fazendo esforço em introduzir na educação básica, mas com esses casos fazem com que diretores de escola fiquem receosos com um suposto prejuízo na sua instalação.
A profissão do quadrinhista também sofre baixas com esses fechamentos. As gibitecas têm como vocação o fomento da produção e pesquisa de histórias em quadrinhos. É um espaço que reunem intelectuais, editores e leitores em suas palestras e eventos. Sem as gibitecas o abismo que separam esses profissionais, pesquisadores e leitores só aumentam e com isso, a possibilidade da formação de novos autores de quadrinhos fica seriamente ameaçada.
Fica aqui a reprovação e a espera de que estes episódios preocupantes parem de acontecer. Para isso, a mobilização da classe de pesquisadores, quadrinistas e leitores precisam se mobilizar e mostrar que gibitecas não são um estorvo, mas uma solução cultural para a cidade de São Paulo.

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