Escrito pelo Paulo Ramos.
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04.09.06
HQ NA FACULDADE
DUAS UNIVERSIDADES ABREM CURSO DE QUADRINHOS
Houve uma época em que ler histórias em quadrinhos na escola era motivo para ficar de castigo e levar uma baita bronca, tanto do professor quanto dos pais. A atitude seria inimaginável para alunos da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, e da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio Grande do Sul. Eles vão para a faculdade estudar quadrinhos, em cursos oferecidos pelas duas instituições.
A Estácio de Sá organizou uma graduação em histórias em quadrinhos, algo inédito no país. O coordenador do curso, Hélio Eduardo Lopes, diz que a idéia surgiu a partir de conversas com outros professores e também da percepção de que se trata de um mercado emergente. "Há também um interesse político nessa história", diz. "Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei do deputado Simplício Mário que quer institucionalizar que as editoras nacionais passem obrigatoriamente a publicar, em dois anos, 20% de títulos nacionais. Enfim, é o universo conspirando a nosso favor".
A Graduação em Produção de Charges, Cartuns e Histórias em Quadrinhos foi pensada para ser bem prática e direcionada para o mercado. Terá, segundo o coordenador do curso, uma "grade curricular muito voltada para estimular a multidisciplinaridade dos alunos, que terão, além das aulas específicas para quadrinhos (desenho, roteiro, arte-final, cartum etc.), matérias que trabalharão a parte editorial e de produção". As aulas serão ministradas por profissionais que atuam na área.
O curso foi oferecido pela primeira vez em agosto. Não preencheu todas as vagas. O início dos trabalhos foi adiado para outubro, para ver se haverá novas inscrições. Para a abertura de uma turma, a faculdade espera entre 30 e 50 alunos. A Estácio de Sá não exige vestibular ou prova específica para o curso, que tem mensalidade de R$ 370 e duração de dois anos.
A graduação ainda não teve o registro aprovado pelo MEC (Ministério da Educação e do Desporto). Hélio Eduardo Lopes acredita que seja uma questão de tempo. "Precisa ser levado ao conhecimento do MEC e, como é uma área nova, precisará ser avaliada sob todos os aspectos para receber a aprovação. Mas isso não significa que será uma via-crúcis para tal. A Estácio aprovou mais de 20 novos cursos nos dois últimos anos."
O curso da PUC do Rio Grande do Sul, por ser de extensão, não precisa do aval do MEC. Ao contrário da estácia de Sá, o enfoque é na parte teórica. A proposta é fazer 13 aulas semanais de duas horas de duração cada uma. Os encontros serão sempre às quartas-feiras à noite. É organizado e ministrado por Samir Machado e Guilherme Sfredo Miorando, dois publicitários que estudam o assunto há cinco anos. A idéia deles é romper definitivamente com o estereótipo de que "quadrinhos são coisas para crianças".
"Notamos que havia um interesse considerável dos alunos de comunicação social por histórias em quadrinhos, mas não havia até então nada na faculdade direcionado para pesquisa da área", diz Samir Machado. "Havia, e ainda há, uma abundância de cursos de ilustração e desenho para histórias em quadrinhos. Um dos argumentos que usamos para convencer a faculdade da viabilidade do projeto é que há uma grande faixa de público que consome quadrinhos sem necessariamente ter interesse em desenhá-los".
O Curso de Extensão em Histórias em Quadrinhos da PUCRS (veja cartaz ao lado) é aberto ao público em geral, seja ele graduado ou não. Os organizadores aceitam inscrições até o início do curso. Mas é bom correr: as aulas começam nesta quarta-feira (06.09). São oferecidas 35 vagas. "É possível que, em caso de grande procura, abram-se mais três ou quatro vagas adicionais", diz Machado. O custo é dividido em três parcelas de R$ 100 para alunos da PUC e de R$ 120 para outros interessados.
A USP (Universidade de São Paulo) ofereceu um curso semelhante entre 1991 e 1993. Foi a primeira especialização em histórias em quadrinhos do país. A experiência era voltada a alunos que já possuíam diploma de graduação e formou duas turmas. Até então, o que havia eram disciplinas esporádicas em cursos de comunicação, primeiro na Universidade Federal de Brasília, em 1970, e depois na própria USP, na década de 70. A Universidade de São Paulo sedia, há 15 anos, o Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos, também pioneiro no Brasil.
Informações sobre os cursos de quadrinhos -assim como formas de se inscrever- podem ser obtidas pela internet. Para o curso da Estácio de Sá, o endereço eletrônico é http://www.estacio.br/politecnico/cursos/prod_quadrinhos.asp. Para o da PUCRS, a página é http://www.pucrs.br/eventos/quadrinhos/
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h16